Sunday, April 18, 2010

WOLKE BOS


Ontem à noite tive a oportunidade de assistir a um desfile, quase privado, de jovens criadores nacionais. Num espaço escondido e perdido no centro do Porto, reaproveitado para servir de 'montra' a estes novos e promissores criadores de tendências.


"Voltámos atrás, ao passado, é necessário o novo, o desconhecido, o sereno, um espaço sem manchas, sem marcas.
Viramos a nossa atenção para o que desconhecemos, para o escuro, para as áreas genuínas, estremes, para as florestas da Amazónia, para montanhas tropicais, para florestas nuvigenas, para África.
Lugares menos tocados, inalterados, munidos de ecossistemas fortes, ricos de matéria, saudáveis. Vemos estas áreas como próximas potências, como novo mundo. Apropriamo-nos da aura que transmitem, do incógnito, do por descobrir, do distante, do natural, da essência da origem, do tribal novo e escuro. Observamos o inicio da vida, o solo por tocar, como futuro, relutantes à industrialização e consequente alienação da humanidade ao mundo.
O conceito passa para a criação, assente no manifesto e nos "Seis de Antuérpia" que visa salientar o novo, o consistente, o interessante/belo e todos os esforços e dedicação necessários para os alcançar, de modo que o processo do trabalho/do criar, seja dirigido ao acto de trazer matéria relevante ao mundo.
Associado a uma dinâmica cultural, não como evento único, mas como uma sequência de estádios, seguindo o objectivo comum de exposição e visibilidade de trabalho. Experienciando a adesão e o tempo de encubação de um projecto na área moda face ao panorama actual.
Em 1981, um grupo de seis designers de moda de influência avantgard terminam a sua formação na Royal Academy of Fine Arts Antwerp. Antuérpia adquire, em 1988, um lugar notável e uma conotação distinta, forte, promissora e nova na área de moda a nível mundial. Isto devido à necessidade de uma resposta, impulsionada pelos "Seis de Antuérpia".
Na Grã-Bretanha, 1964, foi publicado no jornal "The Guardian" um manifesto de quatrocentos signatários, reprovando o conceito de Design Gráfico exercido até à altura e advogando uma nova percepção, uma nova postura que destacava uma dimensão humanista à teoria de design gráfico. Em 2000, "First Things First" é reescrito admitindo a indiferença que lhe foi dirigida durante quase quatro décadas, Ken Garland foi o mentor do manifesto inicial e da sua republicação.
Reconhecendo a presença do mesmo sentimento face à diminuída importância dada ao artístico do Design vimos o Manifesto "First Things first" como o formato ideal a utilizar para melhor autenticar as nossas opiniões e reprovações ao ambiente instalado na Moda nacional. "


 Andreia Oliveira


Diana Matias
  

Alexandre Marrafeiro
  

Daniela Barros







Marco Godinho



Organização: Colectivo e Tiago Carneiro
Produção, Design e Música; Tiago Carneiro
Fotografia: João Leal e Maria Correa
Luz: Filipe Pinheiro